Black Mirror | A Melhor Série Original da Netflix.

Consegue imagina sua vida sem a tela de um celular, tablet, computador ou televisão? (Ok, talvez sem televisão muita gente consiga sobreviver). Mas se a resposta para os outros dispositivos foi “não”, é a hora de rever seus hábitos… Ou assistir à brilhante série britânica Black Mirror – cujo nome é uma alusão às telas dos gadgtes. Ao embarcar nesta incrível obra de drama e ficção-científica, prepare-se: cada episódio é um novo tapa na cara e uma reflexão. E, em todo final, dá para se perguntar “é assim mesmo que caminha a humanidade?”

São apenas sete episódios – divididos em duas temporadas e um especial – que fazem pequenas previsões sobre sociedades de anos à frente e como tratarão a tecnologia. Cada episódio tem história, elenco e realidade diferente, mas isso não os faz independentes um do outro. Há diversas referências de capítulos anteriores e sempre aquele thrill de “ah, eu já vi isso; eu entendi a referência”. É tipo quando assistimos a um filme e falam seu título no meio de uma cena. E julgo até que a finale da primeira temporada e o especial de Natal se passam em uma pequena diferença de anos entre si, já que os aparatos tecnológicos são os mesmos.

Teorias da conspiração à parte, além dos roteiros bem escritos, da criatividade e das atuações afiadas, o criador da série, Charlie Brooker, preocupou-se em nos preocupar. Fora um ou dois episódios, cujas realidades estão bem distantes de 2016, todas as histórias poderiam muito bem acontecer em um ano ou dois. Isso assusta um pouco, sobretudo pela maneira como veneramos iPhones, notebooks, YouTubers e memes da internet. Citando o próprio autor, “todos eles (episódios) são sobre a forma como vivemos agora – e a forma como nós poderemos viver em 10 minutos se formos desastrados”.

Apesar de ter tido críticas mistas pela imprensa especializada europeia – alguns chamando os roteiros de “apocalipses desesperados” – Black Mirror foi abraçado por boa parte do mundo, arrancando elogios de Stephen King e Robert Downey Jr (ambos demonstrando interesse em transformar a minissérie em algo ainda maior). Inclusive, a nossa querida e flawless Netflix anunciou mais 12 capítulos para a série. Até lá, os sete episódios que já existem estão lá no catálogo, prontinhos pra você.

Mas por que tanto medo?

Logo no primeiro episódio, o primeiro-ministro britânico se depara com um viral: um vídeo postado no YouTube mostra que alguém sequestrou uma das princesas da Grã-Bretanha e ele se vê em um dilema se acata ou não as exigências para a devolução dela, que incluem que ele se humilhe ao vivo, em televisão aberta. Com proporções menores, quantas vezes já vimos efeitos similares em virais da internet? Seja o sucesso estrondoso de memes ambulantes como as queridíssimas Inês Brasil e Luísa Marilac, ou a desastrosa história do vestido de Geisy Arruda.

Mais à frente, uma espécie de conselheiro amoroso infiltra rapazes sem habilidades de flerte em festas de escritório e, para que ele pareça que trabalha no lugar, pega informações sobre os empregados em suas redes sociais. Stalkeando e reportando. Familiar? Em outro episódio, pessoas trabalham por longas horas seguidas, passam fome e economizam para entrar em um reality show, em busca de uma vida diferente, brilhante, cheia de promessas. Mais uma vez: já viu isso em algum lugar?

Black Mirror foi uma das melhores ideias que já tiveram para televisão. Não só pela ousadia em nos criticar de maneira tão explícita, mas porque foi diferente de tudo o que está no ar atualmente. Poucos capítulos, histórias intensas e bem construídas, ideias totalmente novas!

É totalmente o contrário de longas temporadas explorando dramas pessoais, histórias sem fim cheias de seres sobrenaturais, pessoas cantando do nada em escolas ou assassinos que ameaçam por mensagens de texto. Não tem furos de roteiro ou erros de continuação.

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