Como um site só de ilustradoras pode ajudar a combater a desigualdade.

 

Não é raro que ilustrações feitas por artistas homens dominem páginas de jornais, revistas e livros. Eles também dão mais palestras cursos e são mais influentes, segundo o depoimento de uma designer no site “Quora”. O “Women Who Draw” (mulheres que desenham, em português) foi criado para reunir o trabalho de ilustradoras profissionais e servir de plataforma  para a enorme quantidade de artistas em atividade nesse campo.

As ilustradoras americanas Julia Rothman e Wendy Macnaughton são as criadoras do projeto. E sabem bem como funciona a desigualdade entre homens e mulheres no meio. “Com muita frequência falamos com as pessoas, diretores de arte e editores de revista, por exemplo, e eles dizem ‘nós contrataríamos mais mulheres se conseguíssemos encontrá-las’”, disse Macnaughton em uma entrevista concedida à revista “Vogue” americana.

 

 

O site surgiu, portanto, como uma maneira de rebater a dificuldade de encontrar as mulheres do ramo. A princípio, as amigas idealizaram um meio de escancarar o sexismo das publicações. Depois, decidiram por “promover a mudança em vez de penalizar erros”.

Rothman e Macnaughton estavam envolvidas com a campanha de Hillary Clinton para a presidência dos EUA. A vitória do republicano Donald Trump no dia 8 de novembro deu às idealizadoras do projeto um senso de urgência para colocar em prática um “contra-ataque” ao sexismo no campo específico em que atuam.

As criadoras consideram a ideia de uma plataforma colaborativa, na qual mulheres ajudam umas às outras a crescerem em sua área de atuação, uma forma de contraponto à competição feminina.

 

Diversidade vai além do gênero

Latinas, americanas, europeias de diferentes religiões e orientações sexuais fazem parte do painel de ilustrações de estilos diversos que compõem a página de abertura do site. Um clique em uma das figuras femininas que representa cada artista redireciona para o site individual da ilustradora.

É possível filtrar a busca por localidade, orientação sexual, religião e raça/etnia da artista. Os números ao lado das categorias informam, por exemplo, que há 131 ateias, 54 mulheres de origem hispânica e 143 europeias. As tags também podem ser combinadas entre si.

 

 

Algumas brasileiras já fazem parte do diretório: Sandra Jávera, paulistana residente em Nova York, tem experiência em ilustração editorial e ilustra livros infantis. Luana Moreira aparece nas tags “LBTQ+” e “multirracial”. Susanna Mota faz ilustrações para objetos como pratos de porcelana e tatuagens. A ítalo-brasileira Paola Salibyreside em Berlim e também trabalha com ilustração editorial.

Como enviar um trabalho

Os únicos requisitos para que uma ilustradora tenha seu trabalho representado no “WWD” são um site ativo com o portfólio da artista, disponibilidade para trabalhar como freelancer, além de seguir as instruções do site ao enviar a “candidatura”. As informações devem ser acompanhadas da ilustração de uma mulher, que será seu “cartão de visitas” no site e em quais categorias identitárias ela se encaixa.

 

 

No  momento, novas inscrições não estão sendo aceitas, devido ao grande número de trabalhos enviados logo no primeiro dia: mais de mil.

“Tivemos que apertar o ‘pause’ e parar temporariamente as inscrições. Não se preocupem – voltaremos a aceitar novas candidaturas logo – mas precisamos de um tempo para cuidar das que já existem e melhorar nosso servidor”, esclarece o site. O servidor chegou a cair duas vezes no primeiro dia por conta do número de inscrições.

 

 

 
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