Nem homem, nem mulher, apenas ‘muxes’. Conheça o terceiro gênero existente no México.

Em uma pequena cidade do sul do México chamada Juchitán, as Muxes são consideradas como um terceiro gênero. Alguns dizem que elas são similares aos transgêneros, mas possuem características peculiares que as afastam dessa categoria.

As muxes não se identificam nem como homens nem como mulheres, são um gênero sui generis, por mais pleonasmo que pareça.

Elas nasceram homens, se vestem de mulher e não se consideram crossdressersnem transgênero. Por estarem nessa interseção e se assumirem nesse intermeio, não podem ser encaixadas na dualidade dos gêneros.

Especialmente em Juchitán, o corpo não é uma prisão, o que permite uma autodeterminação dessa terceira via. Felina, muxe de Juchitán, disse à jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho, no livro Viva México:

A mulher está aqui, o homem está ali, e o muxe está no meio. Não tenho razões para querer ser mulher (…) Sinto-me bem no meio, esse é o meu espaço. Posso entrar onde as mulheres não podem e onde os homens não podem.

 

Além disso, elas têm as suas próprias noções de vestuário. A maior parte usa roupa de homens e apenas se maquia ou usa ornamentos femininos e, às vezes, calça sapatos de mulher. Porém, há outros que apostam na exuberância, numa espécie de travestismo e vão além.

Os muxes assumem papéis femininos, mesmo não querendo se tornar uma mulher. Eles dizem que a diferença é que nunca poderiam se sentir como uma mulher ou superior, já que, na verdade, estão se espelhando nelas. “Eu tento ser uma mulher, mas não me sinto uma”: pode ser o ponto que os diferencie das trans.

O documentário abaixo foi idealizado por Ivan Olita para o Nowness e apresenta, com uma fotografia belíssima, os Muxes de Juchitán. Confira:

Nossa estrutura de pensamento é tão hermética e nossa linguagem tão limitadora que, pelo menos no português, não conseguimos expressar algo fora do binarismo.

Os artigos O e A categorizam as coisas e as pessoas em dois gêneros, e quando nos deparamos com uma expressão cultural que é divergente dessa lógica, como os/as muxes, até a explicação dessa alteridade é difícil. Porém, para tentar explicar as muxes, acaba sendo inevitável recorrer a esse binário. Assim, ao falar de coisas de ‘mulher’ em contraposição aos comportamentos de ‘homem’, acabamos colocando em dois extremos o que as muxes vêem como algo inseparável.

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