Pantera Negra é marco para a representatividade negra nos filmes de super-heróis.

Pantera Negra é indubitavelmente um marco nos filmes de super-heróis e, quiçá, em blockbusters em geral. Trata-se de uma obra autoral, que mesmo fazendo parte de um universo maior e fantasioso, explora as diferenças raciais e sociais que acontecem no mundo de hoje. São nítidas as inspirações em 007 Skyfall (2012, Sam Mendes) e Poderoso Chefão (1972, Francis Ford Copolla), que dão um tom único e inovador ao gênero. Pantera Negra não é só sobre um rei e suas dificuldades em assumir esse papel, mas sobre ser humano e lidar com todas as diferenças que possuímos; é sobre aprender a respeitá-las, valorizá-las e nos tratarmos como somos: iguais.

 

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Estudo publicado no ano passado pela Universidade de Southern, na Califórnia, apontou que brancos representavam 70,8% dos papéis com falas nos cem títulos de maior bilheteria de 2016. Já os atores negros eram apenas 13,6%, de um total de 4.583 personagens. Diante desse cenário pouco representativo, Pantera Negra faz uma saudável inversão, com elenco majoritariamente afro-americano, além do diretor, Ryan Coogler, e outros integrantes da produção.

 

 

O núcleo do filme é formado por Chadwick Boseman (T’Challa/Pantera Negra), Lupita Nyong’o (Nakia), Danai Gurira (Okeye), Daniel Kaluuya (W’Kabi) e Michael B. Jordan (Erik Killmonger), Angela Bassett, Forest Whitaker, Letitia Wright. Martin Freeman (Everett K. Ross) e Andy Serkis (Ulysses Klaue) são os únicos caucasianos no elenco principal.

 

 

Ainda que seja alardeado como primeiro filme solo de super-herói negro, Pantera Negra não é pioneiro nesse campo, mas é a maior produção. Entre os exemplos anteriores estão os menos lembrados Aço (1997) e Spawn (1997), além do bem-sucedido Blade: O caçador de vampiros (1998), que rendeu duas sequências, em 2002 e 2004. Mulher-Gato (2004), estrelado por Halle Berry, embora a personagem se enquadre melhor como anti-heroína.

Seja como for, não é uma lista exatamente longa de filmes nem, muito menos, um problema específico das produções de super-heróis. Aliás, transcende a sétima arte: a falta de diversidade é notável também em outras mídias e expressões artísticas, dos programas televisivos aos videogames. E, claro, abrange outras esferas para além da questão étnica, incluindo a representatividade feminina, LGBT e de pessoas com deficiências, entre outras minorias.

 

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Pantera Negra nas HQs 

O personagem foi concebido pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby nos anos 60 a inspiração viria de um personagem de revistas pulp cujo símbolo era justamente a pantera negra. Nas primeiras artes conceituais, Kirby chegou a anotar o nome Coal Tiger (Tigre de Carvão, em português). Herdeiro do trono de Wakanda, uma sociedade fictícia africana mais intelectual e tecnologicamente avançada, T’Challa é também líder do clã Pantera.

A primeira aparição foi na HQ do Quarteto Fantástico, em julho de 1962 e, após participações especiais ao lado de outros personagens, ganhou um título próprio somente em 1973, na revista Jungle action. Ao longo das décadas, o herói chegou a ter algumas séries, a mais longeva delas com pouco mais de 60 edições. No Brasil, o Pantera nunca teve revista própria e a fase mais recente do personagem, que serve de base para o filme, é publicada em volumes encadernados, compilando as edições mensais, assinadas por Ta-Nehisi Coates (roteiro) e Brian Stelfreeze (arte).

Cinema

O longa se passa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, onde T’Challa retorna a Wakanda para assumir o manto de rei e lidar com todo o peso de liderar uma nação. O herói tem que enfrentar as adversidades de ser um bom líder e proteger a sua terra, como também não postergar seus ideais altruístas. O próprio material de divulgação do filme diz “Você é um bom homem, e é difícil para um bom homem ser rei”. Essa é a premissa do filme, mas não é nem de longe um dos principais temas abordados pelo inteligente roteiro escrito por Ryan Coogler e Joe Robert Cole. A história de Pantera Negra se aprofunda na cultura negra; suas origens, seus costumes, o racismo e a política entorno dele. É fácil esquecer durante a progressão do filme que é uma obra da Marvel Studios, justamente por se ausentar de alívios cômicos e mergulhar (de forma autoral) em uma crítica fundamental para os dias de hoje.

 

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Marvel investiu pesado em Pantera Negra, segundo o chefão do estúdio Kevin Feige. Em entrevista ao Vulture, o produtor disse que o orçamento para o filme de Ryan Coogler foi “maior que o dos nossos filmes recentes”, a fim de poder trazer Wakanda à vida na tela. “Eu espero que isso fique claro no filme. Essa é uma história gigantesca que merecia ser contada de forma gigantesca”, conta. “Wakanda é um canto tão importante do universo Marvel, e queríamos fazê-lo da forma certa”.

Filme estreia 15 de fevereiro de 2018.

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Fã de quadrinhos, o rapper Emicida escreveu, ao lado de Felipe Vassão, uma música intitulada Pantera Negra, dedicada ao herói da Marvel. A faixa, já disponível nas plataformas de streaming, faz referências a outros personagens negros das HQs e à cultura Black e ancestralidade. “Com a garra, razão e frieza, mano/ Se a barra é pesada, a certeza é voltar/ Tipo Pantera Negra (eu voltei)/ Tipo Pantera Negra”, diz o refrão da canção.

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Vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por Histórias cruzadas (2012), Octavia Spencer estará no estado do Mississipi para o lançamento do filme e anunciou que irá bancar sessões destinadas a comunidades carentes. “Quero garantir que crianças negras possam se enxergar como super-heróis”, disse a atriz, que fez ação similar no ano passado para exibição do filme Estrelas além do tempo.

Outros heróis negros

 

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Super Choque (1993)

Virgil Hawkins era um adolescente de 15 anos que estava no meio de uma guerra de gangues em Paris Island, na noite do Big Bang – a detonação da bomba de gás experimental que o governo criou para eliminar de vez a ameaça das gangues. Como a maioria dos sobreviventes, Virgil desenvolveu incríveis capacidades eletromagnéticas. Agora, sempre que necessário, o franzino Virgil assume a identidade de Super Choque, o herói com poderes elétricos.

 

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John Stewart (1971) 

Substituto de Hal Jordan, o mais conhecido dos personagens a assumir o manto de Lanterna Verde, John Stewart se tornou o protagonista da série durante alguns números nos anos 1980. Ganhou mais popularidade na série animada Liga da justiça, exibida de 2001 a 2006, o que influenciou nos quadrinhos, desfrutando de mais destaque a partir daí. Especula-se que John Stewart seja integrado ao universo cinematográfico da DC.

 

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Tempestade (1975)

Já que as histórias dos X-Men traziam subtexto sobre tolerância e enfrentamento ao preconceito, fez todo o sentido a criação de Ororo Munroe, mutante descendente de uma linhagem ancestral de feiticeiras africanas. Mais conhecida pelo codinome de Tempestade, pela capacidade de manipular o clima, a personagem chegou a se casar, nos anos 2000, com o Pantera Negra, mas a união teve fim.

 

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Miles Morales (2011) 

O personagem negro e latino assumiu o manto do Homem-Aranha em uma linha de quadrinhos paralela ao universo original do herói. Posteriormente, Miles foi integrado à série regular de títulos da Marvel e coexiste junto com a versão clássica do aracnídeo, Peter Parker. Miles Moraes será o protagonista do longa-metragem em animação Homem-Aranha no Aranhaverso, que estreia nos cinemas em dezembro.

 

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Luke Cage (1972) 

Um dos primeiros super-heróis negros a ter revista mensal própria, Luke Cage foi transposto para as telas recentemente, em série da Netflix de mesmo nome. Com inspirações no movimento blaxploitation dos anos 1970, a HQ era ambientada no Harlem e, antes de se tornar um herói de aluguel, Cage foi membro de uma gangue e praticou pequenos delitos. Simbólico, o poder dele é ter uma pele invulnerável e superforça.

 

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Raio Negro (1977)

Primeiro personagem negro da DC Comics a ter um título solo, repetiu, recentemente, feito similar na TV, estrelando série própria realizada em parceria entre o canal CW e Netflix. Após lidar com a perda do pai, morto por mafiosos locais, e sentir a ameaça de uma gangue poderosa, Jeff Pierce constrói, com a ajuda de um amigo, um uniforme com poderes elétricos e decide combater o crime no bairro.

 

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Riri Williams (2016) 

Com 15 anos de idade, a adolescente chamou a atenção do Homem de Ferro original, Tony Stark, por conseguir construir uma armadura similar à do herói. Com a bênção de Stark, que auxilia com treinamento e suporte tecnológico, a garota assume o lugar do herói. O arco inicial de histórias de Riri Williams começou a ser publicado recentemente no Brasil na revista mensal Homem de Ferro, da Panini.

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